Sreya

Orfeão Velho

A Sreya faz canções de forma leve mas comprometida, numa mistura franca da realidade com uma muito própria fantasia. Depois de "Emocional" (2017), que trouxe canções em formato worldbeat, produzidas por Conan Osíris, com melodias e linguagem tanto estranhas como familiares à música portuguesa, - segue-se "Cãezinha Gatinha" (2020, Maternidade), desta feita produzido por Primeira Dama e Bejaflor.

O título "Cãezinha Gatinha" nasce de uma aglutinação de termos que Sreya usa para descrever a sua dualidade, bastante presente na linguagem, sons, cores e humores das suas criações artísticas - da cerâmica ao vestuário, passando por acessórios e pela ilustração. Essa dualidade transparece também na narrativa de Cãezinha Gatinha, partida em duas metades: a primeira com canções "Do Frio" de uma temporada na Chéquia, com canções de aura densa e melancólica; a segunda, composta "No Calor" de Lisboa, com músicas enérgicas de tempos acelerados e auras mais leves.

Num disco marcado pela diversidade e consistência e pela tradicionalidade e modernidade, características tanto da Sreya como da pop, há um constante melancólico-alegre com um twist que passa da incerteza a um final quase feliz.